Incêndios em navios: impactos para importadores brasileiros

HMM Platinum tem Avaria Grossa declarada, enquanto o Espírito Santo Express enfrenta risco de perdas significativas de cargas. Entenda os impactos para as importações.

Dois incêndios recentes em navios porta-contêineres com destino ao Brasil estão gerando preocupação no comércio exterior. Os acidentes envolvendo o HMM Platinum e o Espírito Santo Express evidenciam os riscos do transporte marítimo internacional e seus possíveis impactos financeiros e operacionais para os importadores brasileiros.

Além dos danos às mercadorias, as ocorrências podem resultar em atrasos nas entregas, custos extraordinários de salvamento, exigências de garantias e procedimentos relacionados à Avaria Grossa.

HMM Platinum: incêndio e declaração de Avaria Grossa

O navio HMM Platinum, que transportava aproximadamente 2.300 contêineres, sofreu um incêndio durante sua viagem de Kattupalli, na Índia, para Santos, no Brasil, enquanto navegava próximo à costa de Madagascar, no Oceano Índico.

Após o incidente, foram mobilizadas equipes especializadas de salvamento marítimo, incluindo a empresa SMIT, para auxiliar nas operações de resposta à emergência.

Em 6 de novembro de 2026, a W.E. Cox Claims Group divulgou a confirmação da declaração de Avaria Grossa (General Average) pelos responsáveis pelo navio.

A KORHI Average Adjusters & Surveyors Ltd. foi nomeada para atuar na regulação da Avaria Grossa, com participação da Richards Hogg Lindley na coleta das garantias necessárias.

Navio aguarda autorização para atracar na África do Sul

Segundo atualização divulgada em 6 de novembro, o HMM Platinum aguardava autorização para atracar no Porto de Ngqura, também conhecido como Coega, na África do Sul.

A operação depende de autorizações das autoridades portuárias e da disponibilidade de infraestrutura adequada para receber o navio.

A expectativa é que sejam realizados procedimentos de descarga, inspeção e avaliação das condições das mercadorias.

Até o momento, não há confirmação individualizada sobre os danos em todos os contêineres ou previsão definitiva para a continuidade das entregas.

O que muda para os importadores?

Com a declaração de Avaria Grossa, os interessados nas cargas poderão precisar apresentar garantias financeiras antes da liberação das mercadorias.

Além disso, poderão ser exigidas garantias específicas relacionadas aos serviços de salvamento.

É importante destacar que mesmo mercadorias que não tenham sofrido danos físicos poderão estar sujeitas à contribuição de Avaria Grossa, conforme as regras aplicáveis ao transporte.

Espírito Santo Express: incêndio pode ter comprometido grande parte da carga

O segundo incidente envolve o navio Espírito Santo Express, que sofreu um incêndio em 15 de outubro de 2026, durante sua viagem de Singapura para Santos, no Brasil.

De acordo com comunicado oficial da Seaspan, empresa responsável pela gestão do navio, o incêndio teve início na região destinada ao transporte de cargas.

Todos os tripulantes foram reportados em segurança.

Entretanto, a gravidade do acidente trouxe preocupações significativas quanto à integridade das mercadorias transportadas.

Hapag-Lloyd alerta para possíveis perdas totais

Em atualização divulgada pela Hapag-Lloyd, com base nas informações recebidas da Seaspan, a companhia informou que a maior parte das cargas poderá ter sofrido danos severos ou perda total.

Embora o incêndio tenha sido controlado, ainda serão necessários procedimentos para conduzir o navio a um porto de refúgio e realizar avaliações detalhadas.

A condição individual dos contêineres somente poderá ser esclarecida após as inspeções.

Até a atualização desta publicação, não foi identificada confirmação pública de declaração formal de Avaria Grossa para o Espírito Santo Express.

No entanto, a possibilidade de exigências relacionadas ao salvamento marítimo e de procedimentos adicionais para recuperação das cargas exige atenção dos importadores envolvidos.

O que é Avaria Grossa no transporte marítimo?

A Avaria Grossa é um instituto do Direito Marítimo aplicado quando determinados sacrifícios ou despesas extraordinárias são realizados de maneira intencional e razoável para preservar o navio e as cargas diante de um perigo comum.

Em determinadas situações, os custos admitidos na regulação são distribuídos proporcionalmente entre os interesses participantes da aventura marítima.

Entre os exemplos de despesas que podem estar relacionadas à Avaria Grossa estão:

– Operações extraordinárias de combate a incêndios.

– Determinadas despesas de salvamento e preservação do navio e da carga.

– Custos extraordinários associados à entrada em porto de refúgio, quando admissíveis.

– Sacrifícios deliberados de mercadorias para preservar os demais interesses envolvidos.

A declaração de Avaria Grossa não significa que todas as mercadorias estejam danificadas. Também não determina automaticamente o valor definitivo que será devido por cada importador.

A apuração dependerá da regulação do evento, das regras contratuais aplicáveis e da avaliação dos interesses envolvidos.

A importância do seguro internacional de cargas

Os dois acidentes reforçam a importância de avaliar a contratação de um seguro internacional adequado aos riscos da operação.

Dependendo das coberturas contratadas, das cláusulas da apólice e das circunstâncias do evento, o seguro poderá contemplar danos físicos às mercadorias, contribuições de Avaria Grossa e despesas de salvamento.

Entretanto, é fundamental compreender que nem todas as despesas decorrentes de um acidente marítimo possuem cobertura automática.

Custos de armazenagem, atrasos, lucros cessantes e despesas extraordinárias, por exemplo, deverão ser analisados conforme as condições e exclusões da apólice.

Por isso, antes de realizar uma importação, é importante avaliar os riscos envolvidos, as responsabilidades estabelecidas no Incoterm negociado e a abrangência da cobertura securitária.

Power Trade Imports: 100% das cargas seguradas

Na Power Trade Imports, 100% das cargas operadas pela empresa contam com seguro internacional de transporte, demonstrando nosso compromisso com a segurança das operações e a proteção dos interesses de nossos clientes.

Essa prática faz parte da nossa política de gestão preventiva de riscos, pois entendemos que a segurança de uma importação não deve se limitar ao cumprimento dos procedimentos aduaneiros e logísticos.